Up and Down | Outubro

06-11-2020

A Bolívia contra o imperialismo

Na Bolívia, as eleições deram uma vitória expressiva aos socialistas. No ano passado, um golpe de estado com o tradicinal apoio do EUA e da direita europeia retirou Evo Morales do poder. Insinuaram que a sua vitória foi resultado de eleições fraudulentas e Jeanine Áñez autoproclamou-se Presidente Interina da Bolívia e de Bíblia na mão, obrigando Morales a exilar-se no México para proteger a sua vida. Este ano, o povo foi às urnas e deitou por terra a direita que se apoderou ilegitimamente do governo e mostrou que a solução para o seu país deve continuar a ser pela via socialista.

O corpo é delas, mas as regras não

O aborto em caso de malformação do feto foi legalizado em 1933 na Polónia, até o Tribunal Constitucional ter decidido, em outubro do presente ano, que tal ato era inconstitucional, tendo em conta o "direito à vida de um recém-nascido". A crise democrática neste país é conhecida, uma crise que interfere na separação de poderes, daí o Tribunal ter ido de encontro ao Governo ultraconservador do Partido Lei e Justiça (PiS) ao decidir algo que torna praticamente impossível o acesso à interrupção voluntária da gravidez pelas cidadãs polacas. É um dos países da Europa com leis tão restritivas, permitindo apenas a IVG em caso de violação, incesto ou perigo de vida da mulher.

A Derrota de Pinochet

No Chile, quase 79% dos eleitores e eleitoras votou favoravelmente à construção de uma nova Constituição, rejeitando a até então em vigor do tempo da ditadura de Pinochet. O Chile tem enfrentado a violência do neoliberalismo que se traduziu na venda dos setores estratégicos, da saúde, da educação, das pensões e dos recursos naturais ao negócio privado, impedindo a interferência do Estado em todos estes domínios e transformando todo o país num paraíso para a elite e num inferno para a esmagadora maioria da população. Agora, a solução será o caminho oposto, por uma justiça social e pelo combate às desigualdades que estarão na nova Constituição que será referendada no ano de 2022.

A(s) pandemia(s)

Entre o dia 1 de janeiro e o dia 30 de setembro, a PSP registou 11.000 casos de violência doméstica em Portugal. Os números desta pandemia feminicida e machista assustam-nos todos os anos e este não foi diferente. Em contexto de isolamento a nível nacional devido à covid-19, muitas destas vítimas viram-se obrigadas a partilhar o mesmo espaço com quem as agredia, do acordar ao deitar, todos os dias, durante meses a fio. Ainda que tenham sido criados mecanismos de proteção adaptados ao contexto pandémico, os números não escondem que ainda há muito por fazer.

Mais um Orçamento aprovado

O Orçamento do Estado para 2021 foi aprovado na generalidade com o único voto favorável do PS, com a abstenção do PCP, d'Os Verdes e das deputadas não-inscritas e com o voto contra do BE e da direita. Este é um Orçamento com uma importância acrescida em relação aos anteriores, tendo em conta o contexto em que vivemos de crise pandémica. À esquerda, o debate centra-se no investimento público, na proteção do emprego, no reforço do SNS e da escola pública, enquanto que à direita mostram uma mão cheia de nada, sem propostas sérias e a defender os interesses privados que mostraram o que realmente são quando as pessoas mais precisaram de apoio. Na especialidade, resta ao PS continuar a negociar à esquerda.


O Brasil como campo de batalha

A violência política no Brasil tem vindo a disparar nos último anos. Um dos maiores rostos desta realidade é Marielle Franco, uma ativista negra, LGBT e deputada pelo PSOL que foi alvejada numa rua durante a noite quando ia a caminho de casa. A violência no Brasil que remetia a mente das pessoas imediatamente para as favelas ou para as ruas do Rio de Janeiro, agora remete também para a perseguição política, para a violência no Congresso ou para a morte de ativistas. Esta é uma realidade ainda mais presente desde que Bolsonaro foi eleito Presidente.