[A Voz das Concelhias] Pela Democratização dos Transportes Públicos

30-09-2020

Os transportes públicos têm-se verificado, nos centros urbanos, uma alternativa plena às deslocações em veículos particulares. Tem-se constatado a redução do trânsito, da poluição e dos gastos daqueles que há uns anos perderiam, consideravelmente, mais tempo a percorrer as vias dos principais centros urbanos.

Várias medidas têm contribuído para o aumento da eficiência destes meios de transporte, entre elas a implementação do metro, a criação de faixas BUS, o aumento do conforto e segurança através da renovação das frotas, o reforço da oferta em horas de ponta e, mais recentemente, o alargamento do acesso aos passes sociais a toda a população.

No entanto, o sistema de transportes públicos não serve as populações de igual forma e esconde um grande fosso entre aquele que é o serviço prestado nos centros urbanos e nas suas periferias, onde se observa, na generalidade do distrito, uma presença quase nula de alternativas aos autocarros, horários reduzidos e insuficientes (especialmente nas carreiras noturnas), longos tempos de espera e de viagem e a quase inexistência de linhas intraperiféricas. Como consequência, estas populações encaram o transporte público como uma opção ultrapassada e de último recurso.

Como resolver este problema? O Município de Vila Nova de Gaia tem sido um bom exemplo nas respostas dadas a este quesito: lançou concursos para a criação de faixas metrobus (faixas dedicadas ao transporte público e veículos elétricos), que se prevê ligarem os acessos ao metro ao interior do concelho e propôs a criação de uma ligação de comboio suburbano com o concelho vizinho da Feira, resultando numa significativa redução dos tempos de viagem entre o centro do concelho e as freguesias mais distantes.

Apesar de bastantes positivas, estas medidas não mitigam os problemas relativos aos horários e linhas de pouca afluência, que, por serem de pouco interesse para o setor privado, carecem de um grande investimento público, a fim de satisfazer as necessidades da população. Colocar este investimento em segundo plano é relegar as populações periféricas para segundo plano. 


David Santiago, militante nº 129388
Concelhia de V. N. Gaia da Juventude Socialista