[A Voz das Concelhias] O Chega, a Geringonça de Direita e o resto do mundo

11-12-2020
A região autónoma dos Açores sempre teve uma assembleia regional com divisórias partidárias semelhantes às do continente. Contudo, este ano, houve uma grande discrepância nos boletins: PS perde 5 lugares dos deputados, passando agora a 25 dos 57 totais. Tanto o PSD como o PAN conseguem mais assentos, mas quem tem maioria absoluta é mesmo a ​abstenção​.Se achamos que o continente já tem uma abstenção alta (porque, efetivamente, tem) os açorianos ganham-nos, sem dúvida. E à medida que estão a dar menos importância à política, oferecem de mão beijada oportunidades às ​alt-rights e aos populistas​ para escalarem, chegarem às nossas televisões e até a "mandar em nós". Afinal, o que é que aconteceu?Quem foi que, no início, gozava com os Chegas e com os PPMs? Que nunca chegariam a lado nenhum! Que desistiriam após tantas perdas. Que Portugal, ​terra de Abril​, jamais conseguiria trazer ao parlamento mentes tão míseras. Quem foi?A verdade é que este partido, liderado por André Ventura, cuja fundação data há pouco mais de ​1 ano,​ conseguiu constituir governo nas primeiras eleições legislativas dos Açores em que participou. Quantas mentes o populismo acordou para a catástrofe...Agora, saiamos da nossa bolha. Olhemos para a ​Europa​. Para a ​América​.

Onde é que a extrema direita nos levou? Teremos orgulho nos políticos que nos representam por aí fora? O que faz de um político um bom político?A França com Le Penn, Itália com Salvini, Brasil com o Bolsonaro, Polónia... À vista disso, o Parlamento Europeu, neste momento, conta com partidos de extrema direita/ direita radical em 13% dos assentos parlamentares. Que consequências poderá esta ascensão que é cada vez menos silenciosa e mais ​avassaladora​?Muitas. Muitas. O mundo é ​multicultural​. Somos uma aldeia bem grande dividida entre pequenas freguesias - os países. Temos ​diversidade​: de etnias, de religião, de orientação sexual e de género... Alguns de nós são mais capacitados para fazer certas coisas e isso é bom, porque se fizéssemos e fôssemos todos uma mesma raça (não no sentido étnico), então seria bastante monótono.Abraçemos as nossas ​diferenças​. De facto, o nosso país e o mundo nunca tiveram só uma raça, a diversidade sempre foi normal (e ótima!).Esta ideia só mudou quando algumas cabeças se aperceberam que podiam pôr a sua raça em hegemonia. Ou porque estão em maior número, ou simplesmente porque sim. Utilizam o conceito do ​nacionalismo ​para segurar toda a sua ideologia e, na verdade, só procuram e anseiam pelos benefícios que lhes podem ser atribuídos. E posso garantir que, para muitos, muitos arianos, o Holocausto não foi tão bonito assim.O CH e a geringonça dos Açores não devem ser menosprezados. Alt right no poder ou em número será sempre ​lamentável ​para o mundo. E cabe-nos a nós, jovens, educarmo-nos sobre os seus malefícios e, sobretudo, educarmos os outros. Por um bem maior, pela democracia, por um mundo que nos orgulhamos de habitar.

Matilde Rocha, militante
Concelhia de Penafiel da Juventude Socialista